A Educação e a Cidade
Luzia B. de O.SILVA[1]
Transformem a cidade em escola e a escola em cidade, e o povo saberá como é belo organizar e civilizar!
Transformem o couro em ouro e este em louro, e a educação será um tesouro, verde como a esperança do menino e da menina, cheios de sonhos para povoar a cidade, de castelos, de reis e reinados, de príncipes e princesas sorridentes, com dentes branquinhos.
Quando a cidade educa, todos educam a cidade.
As trocas e intercâmbios são singulares na cidade porque são registros de simplicidades, de significados particulares, pequenos, grandes, coloridos, desbotados, são vidas que vivem na cidade.
Cansaço e fadiga estão presentes na cidade que educa os seus filhos, são brincadeiras, labores, conflitos de idéias e de vida, prazerosos, pertinentes e envolventes porque advindos das conquistas e trocas incessantes, são articulações de experiências, vivências e conhecimentos, sabedoria para os viventes.
A educação é o farol da cidade, e o farol da cidade é a educação quando ela chega como o poste de luz em todas as direções e cantos da cidade, quando não exclui, não discrimina, mas elege e contempla generosamente todos os homens, como um patrimônio, porque pertence a toda a humanidade.
Que a educação não seja apenas um encontro para discutir idéias, ideologias, teorias, ciências, métodos, metodologias, didáticas, gramáticas, literaturas, matemáticas, filosofias, que seja como a vida, o centro, o começo, o meio e o fim de todas as causas, como o ar que enche os pulmões e garante a vida da humanidade com toda a força de sua invisibilidade.
Que o homem transforme a cidade como foi capaz de construí-la, embelezá-la, encantá-la, poetizá-la, amá-la, mapeá-la e até maquiá-la para turista ver! Por que não educá-la para nela viver?
Que a cidade seja educada para cuidar e guiar seus filhos, mantê-los saudáveis e protegidos, como o leite materno que garante a vida e a mantém íntegra e protegida, de vírus, bactérias! Que a cidade seja um antídoto contra aqueles que a despreza, maltrata, corrompe, que lhe infesta e povoa de veneno asfixiante, fascista, impedindo-a de ser VIDA!
Que a cidade seja alegre como um sorriso de criança travessa, estridente, mas inocente!
Que os homens andem pela cidade como a criança que adentra com emoção e temor, os jardins da infância pela primeira vez!
Que o educador ame a amizade, que seja amigo da educação e da escola, que ensine o que sabe e com simplicidade aprenda o que ainda não sabe. De coração aberto, sinta-se grande como um gigante e tão pequeno como um passarinho, porque os gigantes chamam a atenção, mas somente os passarinhos podem voar com perfeição.
Que o professor conheça e ame a mitologia, que a deguste como uma criança ávida por histórias, armadilhas, medos, encantos e sabedoria, que somente o aprendiz pode decifrar o seu significado.
Que a educação seja para a cidade como a cidade deve ser para a educação – um coração cheio de vida, esperança e amor!
[1] Doutora em Educação pela Faculdade de Educação da USP (2004) – tese de doutorado: O imaginário poético-pedagógico de Cecília Meireles. Bacharel e Mestre em Filosofia pela PUC – SP (1994 / 1997) – dissertação de mestrado: Psicanálise, poética e epistemologia: a contribuição de Gaston Bachelard. Tem experiência de quase vinte anos na área da educação, dos quais, dez anos na Educação Superior. Atualmente é professora da UNIb e da FICS.
acesso em 19/05/2011 www.fe.unicamp.br/.../Cronica-de-Educacao-AEducacao-e-a-Cidade.doc
